Pingos
- Belfort Filho
- 21 de jan.
- 2 min de leitura

Pingos
A chuva cai mansa lá fora,
chiando nos telhados vizinhos,
petelecando sobre meu teto.
Teco, teco, teco: são esses os petelecos!
Pingos e seus petelecos!
Agora mais próximos uns dos outros,
e a chuva não é mais tão mansa!
O vento agora açoita a janela.
Gotas escorrem pelo vidro,
bailando ao sabor do vento.
Umas teimam pela fresta
e teimosamente me encontram a testa!
De olhos fechados,
vejo o vento chicotear as árvores!
Vejo as verdes folhas
molhadas em movimentos frenéticos
em sobe e desce inconstante!
O cheiro da terra molhada
entra assobiando pela fresta
como as gotas que me encontraram a testa.
O vento uiva e assobia!
Um vento que joga de lado,
outro vento que joga de frente.
Ventos que sacodem o angico branco,
deitando as plumosas flores ao chão.
Um raio solitário alumia teto e chão:
um, dois, três, quatro e cinco...
Não demorou: o tranquilo trovão!
Seguem outro raio e outro trovão!
Mais um e outro e outro mais!
Anúncio certo do fim.
A tormenta se estenderá pouco!
A chuva aperta em fortes pingos
que caem retos sem o forte vento!
Muitos vigorosos pingos caem
roncando poderosamente sobre os tetos!
Majestosa chuva que despenca do céu!
Mais e mais forte; mais e mais forte!
E, abruptamente, quase para!
Para como quando se fecha o chuveiro!
Agora, poucos pingos retardatários
Petelecam espaçadamente sobre meu teto!
Um petelaco aqui, outro, acolá.
Uma pausa, outro peteleco acolá!
Mais um peteleco aqui.
Outra pausa.
O silêncio continua,
senão pelos pingos das folhas do angico.
Lá fora, seus galhos pingam em poças!
Criando suave som
como o estalido da língua largando o céu da boca!
Mais um último peteleco aqui.
Acabou!
Silêncio!
O grilo canta lá fora,
Respondendo ao sapo apaixonado!




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