Morena de Brasília
- Belfort Filho
- 9 de fev.
- 2 min de leitura

Morena de Brasília
O mar torna tudo mais sensual. Mas sua pele moreno-clara não precisava do mar para ser sensual. Caprichosamente, o mar estava lá. Morena de Brasília à beira-mar. Pelos dourados na pele certamente macia de suas coxas. Sentada, contemplando o mar, abraçando os joelhos, com o vento esvoaçando seus cabelos em bronze cacheados. Não precisava dos olhos cor de mel, mas eles estavam lá como um exagero caprichoso da sedução. Tornozeleira na perna esquerda, os lindos pés parcialmente mergulhados na areia branca. Biquíni verde com argola dourada na lateral direita. Mãos, um exemplo de perfeição, com unhas em preto; os dedos da mão esquerda tocam despropositadamente o lábio inferior de uma boca que me acende o calor. Pulsos com delicadas pulseiras douradas e os olhos dedicados a contemplar.
Morena de Brasília que veio ver o mar. Morena de Brasília que veio me fazer esquecer o mar com seus seios que não ouso tentar detalhar; perfeição em dobro à beira-mar.
Desfila agora de pé. O corpo não seria um violão, não existem instrumentos com tão magnífica perfeição. O andar suave, sinuoso e sem pressa a conduz para o mar. Molhada, a pele reluz o dourado do sol, quem sabe, seu brilho ofusque o sol. Morena de Brasília que está embelezando o mar.
Do mar retorna, morena de corpo molhado, torcendo o cabelo de bronze para o lado esquerdo, secando-o em parte. Ajeita o biquíni sobre o seio esquerdo; ajeita o biquíni sobre o seio direito; sem perder a marcha; o frio os deixou maravilhosamente eriçados. Olha para frente e vem, pé ante pé, em voluptuoso desfile na minha direção. Morena de Brasília, agora temperada de sal, passa gotejando em mim gotas de um ofuscado mar com cheiro de protetor solar. Morena linda que banhou o mar distante de Brasília.





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